:: Programa de Pós-graduação em ciências sociais da UFBa ::

Aumentar o tamanho do texto Diminuir o tamanho do texto Imprimir página atual

O(s) ESPAÇO(s) PÚBLICO(s) NUMA CIDADE DESIGUAL E SEGREGADA

Tese de Doutorado apresentada por RAFAEL DE AGUIAR ARANTES em 2016.

Orientador: Prof. Dra. Inaiá Maria Moreira de Carvalho

Resumo:
Esta tese analisa os usos do(s) espaço(s) público(s) na vida urbana contemporânea, discutindo sua relevância atual e sua capacidade de expressar diversidade e engendrar intersubjetividades. Para tanto, buscou analisar sua dinâmica na cidade do Salvador, considerando as transformações urbanas das últimas décadas do século XX e das primeiras desse novo século, através de revisão da literatura, coleta de dados secundários e da realização de entrevistas com moradores que viveram nela entre os anos de 1950 e 1970 e no presente momento. A tese buscou dialogar com as perspectivas críticas que surgiram desde meados do século XX, ampliando-se na passagem para o século XXI, sobre a vida pública contemporânea, tentando discutir a validade das teses que indicam a existência de um processo de diluição/restrição dos espaços públicos. Nesse sentido, concluiu-se que até a década de 1970, quando se operou a metropolização industrial em Salvador, o modelo de cidade existente propiciava certa expressão da heterogeneidade social urbana e permitia maiores oportunidades de usos dos espaços públicos e de produção de encontros e relações interclassistas. No entanto, não se pode falar de usos mais plurais dos espaços públicos e da conformação de amplas relações de sociabilidade interclassistas nessa cidade por conta de suas características derivadas das desigualdades sócio-espaciais existentes, de modo que não se pode voltar a esse período simplesmente com um olhar crítico sobre os dias atuais sob a pena de mitificar o passado a partir de tons nostálgicos. De todo modo, as transformações contemporâneas operaram transformações importantes sobre esse modelo de cidade, favorecendo o avanços de formas de privatização e autossegregação. Nesse novo contexto urbano, não se pode falar da morte dos espaços públicos em Salvador, porque seus usos sobrevivem, ainda que premidos por fatores diversos, como sua heterogeneidade e desigualdade, seu caráter segregado e fragmentado, mas também por processos de privatização e mercantilização, violência e medo, formas de disputas, distinções e competições. Nesses espaços, a intersubjetividade engendrada é construída em torno de grupos intraclassistas, pautadas em relações que envolvem intolerância e preconceito, o que produz processos de autossegregação e isolamento, impedindo que os espaços públicos em Salvador cumpram o papel assignado teoricamente como lugar integrador e gerador de práticas democráticas. Por isso, conclui-se que nesta cidade os espaços públicos são desiguais, segregados e fragmentados, características que devem se repetir em outras cidades brasileiras e latino-americanas.

Palavras-chave: espaço público; sociabilidade urbana; privatização; segregação; Salvador

Banca examinadora: Prof. Dra. Inaiá Maria Moreira de Carvalho(orient) Profª Drª Anete Brito Leal Ivo Profª Drª Iracema Brandão Guimarães Profª Drª Maria do Livramento Clementino Prof Dr Milton Julio de Carvalho Filho Prof Dr Pedro de Almeida Vasconcelos

Clique aqui para baixar o texto completo

 

© 2017 PPGCS

Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas - UFBA - Estrada de São Lázaro, 197
Federação, CEP: 40.210-730 - Salvador, BA - Brasil
Telefone Tel: +55 (71) 3235-4635 - Feedback Formulário de Contato

Administração